O que eu deixei para trás
Somos levados pelo consumismo e pelo FOMO, “o medo de perder algo” ou “medo de ficar de fora”. E por conta disso (e obviamente muitos outros fatores), estão sempre consumindo sem freios tudo que nos mostram e tudo que todo mundo está indicando, o tempo todo.
Isso me fez olhar, para tudo que estava ficando para trás.
O que eu deixei para trás?
Livros que foram ficando para trás, enquanto sigo colocando tudo em listas intermináveis de compras e também, livros que vou comprando e comprando e comprando, e os que estão lá no fundo da estante e lá no começo da pilha, foram ficando para trás.
Coisas que eu comprei porque quis, mas sempre estou lendo o que os outros querem.
Ah, Aninha, mas você faz isso porque quer. É só escolher. É só filtras. É só isso ou aquilo ________________________ (complete com sua responsabilização pessoal do indivíduo). Só que, subestima-se o poder do coletivo e o quão pouca vontade de fato temos frente ao que somos levados a fazer pelo meio.
Seriados e filmes que foram ficando para trás, porque acabei assistindo o que estava todo mundo assistindo, o que os outros indicaram, por esse ou por aquele motivo.
Ah, mas foi porque você quis.
Nós temos bem menos vontade e livre arbítrio do que imaginamos.
O poder do coletivo e das “faltas” e “necessidades” que vão sendo criados em nós é muito poderoso.
Eu observei tudo isso.
Observando a força do “todo mundo” e também, dos algoritmos.
E, olhei com amor e carinho para tudo que eu deixei para trás.
E resolvi que tudo isso merece atenção.
Ao invés de seguir consumindo coisas novas e mais e mais e mais…seja por medo de ficar de fora, seja por medo de estar participando de algo, seja por qualquer outra coisa ________________________________ (preencha aqui uma justificativa). Eu decidi que preciso liberar esses espaços.
Estou ficando sufocada de tanta coisa que vou colocando para dentro -
o copo transborda
o corpo não aguenta
a vida vira uma acumulação desenfreada
Mais. Mais. Mais.
O próximo. O próximo. O próximo.
Sem FIM.
É preciso uma força tremenda para não sucumbir.
Parece que vamos perder algo se não comprar, se não participar, se não consumir.
Estou tentando escolher por mim, olhando para as escolhas que fiz em meio as escolhas que fizeram por mim.
Vou assistir os seriados e filmes que ficaram esquecidos e abandonados, que ninguém me indicou, mas que eu quis assistir, sendo popular ou não.
Vou ler os livros que eu tinha comprado, antes desse boom de indicações de livros por todos os lados. Livros, que eu ainda comprei quando ia nas livrarias e ficava fuçando. E estão aqui, esperando sua vez, enquanto era substituídos pelo próximo, pelo novinho.
Decidi não viver mais pelo próximo.
Estar mais aqui no presente e encerrar um pouco do passado que se acumula.
Esvaziar o copo.
Arejar os cômodos.
Aliviar o peso.
Soltar e liberar espaço.
HD carregado não salva mais nada.
E, de boas, não estou apontando o dedo para ninguém pessoalmente, precisamos aprender a não levar as coisas tanto pro pessoal. Estou falando de algo coletivo e como isso impacto cada um de nós - neste caso eu.
Porque só posso falar por mim.
Um forte abraço,

