A mulher que cerra os dentes
Em algum momento da minha vida, comecei a fechar a cara. Comecei a andar na rua com cara de poucos amigos para que os homens parassem de mexer comigo, me incomodar ou para evitar que eu corresse riscos. Aprendi cedo demais, que um rosto sorridente para eles - é convite.
Eu não estava convidando nenhum deles para absolutamente nada.
Eu sempre fui uma criança sorridente, desde o berço. Um bebê sorridente. Uma criança sorridente e abraçadora. Uma menina que gostava de dar risadas com as amigas, daquelas bem alta que faz a barriga doer e dar câimbra. Sempre gostei de sorrir depois que o vente batia no meu rosto, quando eu via um gatinho fofinho, ao olhar flores (especialmente a primavera), para as pessoas na rua - porque todo mundo estava sempre mais carrancudo.
Até eu me tornar uma carrancuda, não porque eu era, mas porque eu queria sobreviver.
Tomei consciência disso nesses dias. Quando estava refletindo sobre a forte tensão muscular na mandíbula. Ainda não tenho bruxismo, mas sinto muita tensão. Preciso massagear a região o dia todo e fazer exercícios de liberação.
Porém, eu fiquei refletindo sobre - é coisa que não digo, é raiva contida, fiquei passeando pelas coisas que são mais clichês. A raiva eu já saquei que na verdade eu sinto demais e o tempo todo, e preciso modular, porque já não estava sendo construtiva, aliás, cheguei inclusive a fazer um bate-papo ao vivo no youtube, com uma aluna querida, você pode ir lá assistir e desabafei um pouco sobre esse tema aqui com vocês também: A raiva te consome.
Então, me veio a lembrança da cara que eu fico quando estou na rua. Da máscara que em algum momento (que não tenho lembrança de quando foi) eu resolvi vestir. E ai entendi: é daqui que vem essa tensão e essa dor da qual não consigo me desvencilhar.
Me lembrou do filme O Máscara….sabe quando a gente já não consegue mais tirar a máscara? E fica com ela mesmo quando não precisa ficar? Pois é.
Eu resolvi vir aqui compartilhar, sem nada mais a dizer sobre isso, mas, quem sabe, alguma de vocês também pode se identificar ou refletir sobre as próprias questões. O índice de bruxismo é altíssimo em mulheres, que tem haver com nossa sobrecarga absurda em todos os níveis, além do estresse ser lá no Olimpo. Isso, sem contar, que grande parte dos nossos males (especialmente os ginecológicos) tem como fundo níveis exacerbados de estresse e inflamação.
Por que será, né?
Sabemos muito bem.
Porém, eu agora estou aqui procurando descolar dessa máscara e apresentar outras para meu rosto. Porque eu não quero ficar assim por causa dos homens. Eu coloquei essa máscara em algum momento por causa deles, mas agora, eu quero retirá-las, por mim.
A tomada de consciência do motivo, já foi um grande passo.
E por hoje é só pessoal.
Um forte abraço em cada mulher que me lê.
Todo meu carinho,
Aninha
Os caminhos da alma que estão disponíveis para nós através da deusa são múltiplos. Realizo meu sacerdócio à deusa ofertando possíveis rotas, onde você heroína, pode realizar o caminho da alma. Sejam através das Jornadas da Heroína, seja através da prática de yoga, meditando regularmente com a deusa (através do DeusaFlix, no Apoia.se), lendo o que escrevo aqui advindo não somente de estudos mas de uma vida dedicada à deusa, seja através dos atendimentos com ferramentas de autoconhecimento e autodesenvolvimento, como a Astrologia, o BodyTalk ou a Womb Blessing, ou seja quaisquer outros caminhos que a alma derramar à sua frente.
Estou aqui, para caminhar com você e esse é meu serviço e também meu sustento.



Caiu uma ficha aqui. Estava pensando esses dias sobre ser uma mulher que precisou se fechar pra ser respeitada no trabalho. Nunca tinha relacionado meu bruxismo com isso, faz todo o sentido! Obrigada pelo texto!
Aprendi fazer isso pra andar na rua e no trabalho, uma mulher nova não conseguia respeito. Levei tempo pra desconstruir isso. Mas raiva sinto boa parte do tempo.